Restauração vai recuperar monumentos napoleônicos

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A emblemática tumba de Napoleão Bonaparte passará brevemente por obras, assim como outros monumentos vinculados ao imperador expostos no complexo dos Inválidos, em Paris. A campanha para a arrecadação de recursos, ao estilo Notre Dame, mas sem o mesmo efeito instantâneo, começou faz três meses e está sob o comando do Museu do Exército e da Fundação Napoleão. Acontece dois anos antes dos 200 anos da morte de Napoleão, que serão celebrados na França a partir de maio de 2021. A intenção é arrecadar 800 mil euros.

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Além de um “lifting“, como tem brincado a imprensa francesa, estão previstas uma fina limpeza nas tumbas dos irmãos de Napoleão, José, rei de Nápoles e Espanha, e Jerônimo, rei de Vestfália e governador dos Inválidos; a recuperação e consolidação preventiva do chão onde está assentada a tumba, danificado com a queda de pedras do teto, atualmente já restaurado; a retomada do dourado da famosa frase do imperador: “Desejo que minhas cinzas repousem nas margens do Sena, no meio do povo francês que tanto amei”; a restauração de capelas dentro da Igreja São Luís dos Inválidos; e uma proteção mais adequada às lápides da antiga sepultura de Napoleão, antes de seus restos mortais serem repatriados para Paris.

Amado e odiado pelos franceses, Napoleão morreu na ilha de Santa Helena em 5 de maio de 1821, durante exílio. Ficou enterrado na ilha inglesa até 1840, quando o rei francês Louis-Philippe negociou a sua transferência para os Inválidos, um hospital-asilo criado no século 17, para acolher veteranos de guerra em condições de invalidez ou saúde limitada. No Inválidos, os restos de Napoleão aguardaram quase 20 anos até a finalização das obras de adaptação da igreja e a construção de sua tumba de dois metros de largura e 4 metros de altura.

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A tumba de quartzito vermelho é praticamente um sarcófago, que guarda no seu interior outros caixões, um dentro do outro, feitos de estanho, mogno, chumbo, ébano e carvalho. O monumento, instalado numa profundidade de seis metros, é cercado por uma coroa de louros e inscrições recordando vitórias napoleônicas. Estátuas femininas simbolizam campanhas militares. A tumba fica numa galeria circular, onde, ao seu redor, outros generais franceses também estão enterrados, além do filho François Bonaparte e dos irmãos.